Octopath traveler, oito caminhos, oito viagens, oito histórias

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Octopath traveler, oito caminhos, oito viagens, oito histórias

Mensagempor Guira » Qui, 26 Jul 2018, 04:14

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Podemos imaginar Octopath Traveler como um sucessor de Final Fantasy VI. Até mesmo pensar nele como a volta dos JRPGs tradicionais ou analisa-lo como um jogo onde o passado é reimaginado e nos leva de volta aos anos 1990 onde os JRPGs estavam em seu tempo de glória. Octopath Traveler pode ser tudo isso com um toque atual que o deixa ainda melhor.

Octopath Traveler foi apresentado na Nintendo Direct da E3 de 2017 como um exclusivo para o Nintendo Switch feito pela Square Enix e o produtor de Bravely Defaut, Tomoya Asano, além da equipe que trabalhou no mesmo. Logo após a apresentação a primeira demo que podíamos jogar com dois personagens foi disponibilizada. Ali já me encantei com a arte do jogo. Feito na Unreal Engine 4 que possibilita efeitos de luz que simplesmente me fascinaram. Sem contar as histórias simples, porém encantadoras. Regue ainda com uma trilha sonora digna. Adicione um sistema de batalha simples com toques de complexidade para os mais ferrenhos e temos Octopath.

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A ideia de fazer um jogo pixelado em 2D pode soar estranho a alguns. Afinal, com tanta tecnologia e ainda vindo de um estúdio grande como a SquareEnix. A escolha do estilo em 2D pode vir a assustar alguns mas não poderiam ter feito uma escolha melhor. Os gráficos em HD-2D remontam aos jogos de Super Nintendo, porém com toques que eram impossíveis naquele momento. Os efeitos de luz nas casas e ao sol, a neve caindo, o mar, as cidades vivas, as sombras das nuvens e o som dos animais. Tudo está muito bonito e sinérgico. Entregar tudo isso em um jogo pixelado em 2D e ainda conseguir fazer aquele mundo crível dentro das suas regras é sensacional.

Todo esse aparato gráfico juntamente com a trilha sonora composta pelo compositor Yasunori Nishiki, promove uma sinergia em cada ambiente e deixa o jogo ainda mais atraente. As músicas grudam na cabeça e você pode se pegar cantarolando os temas mais marcantes.

A jogabilidade é simples, coesa e com a complexidade necessária para os aficionados. O sistema básico de qualquer JRPG está lá com algumas adições. O sistema de Break e Boost dão uma cara nova ao sistema de batalha. O primeiro consiste em aturdir os inimigos atacando com suas fraquezas a quantidade de vezes necessárias. Porém é preciso descobrir essas debilidades. Já o Boost é um adicional na força das ações dos personagens que você ganha a cada turno. Isso possibilita curas mais eficazes, mais ataques e até magias devastadoras.

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Mas engana-se quem pensar que é só atacar. Dar um Break, saber qual inimigos atacar primeiro, descobrir suas fraquezas e escolher a party certa para conseguir variedade de ataques, buufs e nerfs para não passar sufuco, principalmente nos chefes.

A parte disso adicione o sistema de jobs e habilidades passivas. Seu personagem não é apenas um ladrão ou clérigo. Há a possibilidade de ser um ladrão e clérigo, ou um guerreiro e comerciante até mesmo um caçador erudito. Cada uma das classes, aqui chamada de Jobs, dão habilidades passivas que podem ser adicionadas em qualquer personagem.
Sinergia é a melhor palavra que define o sistema e a jogabilidade de Octopath Traveler. Definir qual habilidade dará para cada personagem é essencial para prosseguir. A variedade de possibilidades é imensa.

Fora das batalhas ainda há a mecânica de ações que permitem interações com os NPCs. Cada personagem tem a sua condizente com seu Job . Roubar um item, seduzir alguém para usá-lo nas batalhas e até mesmo escutar as fofocas das cidades. Esses sistema é utilizado, principalmente, para resolver as side quest que existem aos montes por Osterra, o universo de Octopath.

Enfim, a jogabilidade é primorosa. Só peca pelo excesso de encontros com inimigos. Um simples sistema de diminuir e aumentar a frequência das batalhas aleatórias já resolveria. Mas nada que impeça o jogo de brilhar até porque as músicas são uma arte a parte deixando o excesso de batalhas com um gosto menos amargo.

O enredo é simples e coeso. Alguns podem lembrar de Live a Live lançado em 1994 no Japão pela Square. Aqui você vivia a história de oito personagens distintos assim como Octopath. Mas Octopath pouco tem haver com Live a Live. A decisão de viver oito histórias diferentes assusta e não me pareceu uma boa escolha.

Octopath entrega oito distintas histórias de vida que pouco se ligam. É como ter oito jogos em um. Afinal juntar personagens tão diferentes em prol de uma causa não é uma tarefa de roteiro fácil.

Imagine um famoso ladrão em várias aventuras para salvar o mundo acompanhado de um cavaleiro com senso de honra invejável, uma mercadora que prioriza a honestidade e uma dançarina de bordel que tem um passado obscuro. Teria que ser algo colossal para juntar todos eles. Mesmo os JRPGs clássicos como Crono Trigger ou os mais atuais como Xenoblade Chronicles 2 entregam uma história centrada em um personagem ou em grupo que tem objetivos em comum. Octopath não entrega isso e nem pretende.

A história de cada personagem funciona bem dentro de si própria. Mas a interação com os outros membros da party é quase inexistente. Ela é tão preguiçosa que é opcional ver as conversas entre os personagens quando um está envolvido em sua trama. Chega a ser engraçado como em algumas ocasiões os NPCs no decorrer do enredo ignoram a existência de outros personagens. Isso para segundos depois a batalha iniciar com os outros membros. Me parece contraditório todo o sistema sinérgico montado para o enredo preguiçoso.
A história de cada personagem funciona bem. Não são em escalas épicas. Não existe algo grandioso que incentivem tal empreitada de pessoas tão distintas. São história de vida e busca por conhecimento. Se você ignorar e ler o jogo como 8 histórias de vida separadas não há o que reclamar.

Ademas, os personagens são carismáticos e imprimem sua personalidade em cada fala e situação. Isso auxiliado pelo belo trabalho gráfico e sonoro. Sem contar que há partes dubladas em inglês ou japonês o que dá mais um motivo de imersão dentro desse universo.

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Octopath Traveler nada contra a maré em alguns aspectos esperados mas agrada no que propõe. Agrada muito. Se você espera um JRPG que lembre os clássicos dos anos 1990 é uma compra certa. E apesar dos problemas pontuais ele é capaz de ser lembrado como um dos melhores JRPGS da geração.

Anyway, enjoy your journey. De todos modos aproveché tu viaje.
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